sábado, 23 de abril de 2016

'WASHINGTON POST': VENEZUELA ESTÁ BASICAMENTE FALIDA DE NOVO

Subsidiadas ou não, empresas não estão tendo lucros e por isso, prateleiras ficam vazias

    A Venezuela está ficando sem comida, cerveja, e dólares. Em outras palavras, não vai mais falir gradualmente. Vai falir muito mais subitamente. E o culpado é o governo. É o que diz um artigo de Matt O’Brien, do jornal americano Washington Post, publicada nesta quinta-feira.


    Agora, mais do que qualquer outro lugar, o socialismo deveria ter funcionado na Venezuela. Afinal de contas, tem as maiores reservas de petróleo do mundo, logo deveria ter tido mais petrodólares do que o suficiente para financiar uma generosa rede de segurança. Mas em vez de criar um estado no estilo norueguês, a Venezuela optou por um mais soviético. Começou quando o falecido Hugo Chavez fez com que a empresa estatal venezuelana de petróleo deixasse de ser amplamente autônoma para se tornar um pouco mais do que seu próprio cofre pessoal. Os lucros vieram, mas novos investimentos não foram para a empresa, e, como resultado, a produção de petróleo caiu 25 % entre 1999 e 2o13. As exportações de petróleo despencaram duas vezes mais, porque muito do petróleo do país fica no mercado interno a um preço extremamente subsidiado de 1,5 centavos de dólar por galão.
    Mas o governo da Venezuela não queria apenas controlar os petrodólares. Queria controlar todos os dólares. Isso daria a ele o poder de dizer às empresas que precisam de dólares para se manter nos negócios, que tipo de preços, lucros, e produção elas poderiam oferecer. Então, para isso, o regime estabeleceu uma taxa cambial em três níveis que deixou empresas e companheiros — existe uma diferença? — terem acesso a dólares pelo que agora é 100 vezes menos do que a taxa do mercado negro, que eles deveriam então usar para comprar produtos importados.
      O único problema é que isso cria escassez quando funciona e uma escassez ainda pior quando não funciona. Isso porque o governo não apenas decide quem recebe dólares mais baratos, mas também quanto eles e todo mundo pode trocar. As empresas que não recebem dólares na taxa de câmbio oficial perdem dinheiro vendendo  a preços oficiais, então elas não vendem — elas deixam suas lojas vazias. Mas até mesmo aquelas que recebem dólares baratos ganhariam mais dinheiro vendendo-os no mercado negro do que usando-os para vender bens a preços oficiais, então elas tampouco o fazem — suas lojas também ficam desertas. Em outras palavras, não é lucrativo para empresas não subsidiadas encher suas prateleiras, mas tampouco é lucrativo o suficiente para as que são subsidiadas. É por isso que os supermercados da Venezuela não têm comida suficiente, suas cervejarias não possuem lúpulo o suficiente para continuar fabricando cerveja, e suas empresas não têm polpa o bastante para produzir papel higiênico. Isso deixou a Venezuela bem abastecida com apenas uma coisa: filas.
     Mas agora a Venezuela se vê diante de uma nova escassez. O petróleo caiu de volta a cerca de US$ 50 o barril, o que significa que o governo mal consegue ter dólares suficientes para reembolsar o que deve, só distribuí-los a empresas. Então teve que imprimir mais dinheiro do que habitualmente — que já era muito — para tentar dissimular esse problema. O resulto tem sido um colapso completo na moeda da Venezuela, o bolívar. Indo pela taxa do mercado negro, que é a mais próxima que existe de verdadeiro, o bolívar despencou 79 por dólar no último mês de agosto para 687 hoje. Isso é uma queda de 89% no ultimo ano, com 40% disso vindo só nos últimos dois meses.
     A essa taxa, a hiperinflação não ficará longe, se é que já não está aqui. A Venezuela registrou oficialmente uma inflação de 68,5% no ultimo mês de dezembro, a última vez que publicou qualquer dado, mas esses números deverão ser muito mais altos agora que os preços de importação também estão. É apenas uma outra falência, como Ricardo Hausmann apontou, numa longa lista delas. A falta de comida, remédios, e qualquer outro item básico que se pode imaginar é em parte, o resultado do governo ter usado quais dólares tem para pagar credores estrangeiros em vez dos credores internos. Fazer a moeda valer mais um pouco mais do que o papel onde é impressa é apenas uma outra maneira de fazê-lo.
      A questão agora é se a Venezuela ficará sem a última coisa  que ainda tem, além das filas que duram o ano inteiro. E isso é a paciência das pessoas com um sistema econômico que mal poderia fracassar mais do que já fracassou. Com as eleições chegando, o governo voltou a fazer o que sempre fez, roubar de poucos para dar a muitos, desta vez confiscando armazéns de comida a se tornarem moradias públicas baratas.
      O governo da Venezuela não tem condições de dizer 'comam brioches', porque o povo da Venezuela não tem dinheiro para isso.

_________________________
www.jb.com.br

PETROLEO BR


O QUE NÃO ESTÃO CONTANDO PARA VOCÊ SOBRE A CRISE MUNDIAL DO PETRÓLEO

Em sua eterna luta para jogar mais sombras onde já não existe luz, a imprensa brasileira está ignorando o fato mais importante do ano na economia mundial: a dramática queda do preço do petróleo.
É um fato que terá impactos brutais no mundo globalizado, mas a mídia nacional prefere centrar seus holofotes na Petrobras, como se se tratasse de um caso único de depressão num ambiente de extrema alegria.
Desde junho, quando atingiu o pico de 115 dólares o barril, o preço do petróleo caiu pela metade. Nesta semana, o barril está sendo vendido na casa dos 60 dólares.
Vários fatores se somaram para que isso acontecesse, mas você pode resumir a explicação na tradicional lei da demanda e da oferta.
A produção de petróleo, hoje, supera amplamente o consumo.
Isso está ligado à crise econômica mundial. Com sua economia se desacelerando, a China consome hoje muito menos petróleo do que fazia. O mesmo ocorre com outra potência, a Alemanha.
Os Estados Unidos, tradicionalmente os maiores importadores, está quase auto-suficiente, graças ao “shale oil” —  saudado como uma revolução no campo energético.
Trata-se, essencialmente, da extração de gás e petróleo do xisto, um tipo de rocha.
Reduzida a demanda, era esperado que a OPEP, a organização que congrega os maiores exportadores, baixasse sua produção, para defender o preço.
Mas não.
Para surpresa generalizada, a OPEP, numa reunião em novembro, decidiu manter a produção nos mesmos níveis.
Foi quando o universo do petróleo entrou em convulsão.
Mas por que os produtores tomaram essa decisão?
Especialistas acham que o objetivo maior é matar o “shale oil” americano. A extração é muito mais cara. Caso o barril fique barato, a indústria do “shale oil” tende a se inviabilizar, e esta seria uma excelente notícia para os países da OPEP.
Mas efeitos muito mais imediatos da baixa da cotação estão já sendo sentidos em países como a Rússia, o Irã e a Venezuela. Todos eles dependem visceralmente das exportações de petróleo.
Para o orçamento russo se manter equilibrado, o barril deve estar na faixa dos 100 dólares.
Economistas já preveem uma queda de 5% do PIB russo em 2015. O sofrimento russo deu margem a que fosse ventilada a teoria de que por trás de tudo estariam os Estados Unidos, empenhados em criar problemas para Putin.
Faz sentido? Faz. Ou pode fazer. Mas o custo, para os americanos, é elevado. Sua florescente indústria de “shale oil” pode simplesmente se desintegrar.
E o Brasil, no meio disso tudo?
O quadro ainda não é totalmente claro. Há alguns benefícios: apesar de produzir como nunca, o Brasil ainda é um grande consumidor de petróleo.
Isso significa que as despesas de importação se reduzirão substancialmente. É, também, um alívio financeiro para a Petrobras, que subsidia os consumidores brasileiros.
A Petrobras vende a gasolina no Brasil por um preço inferior àquele pelo qual ela compra. O subsídio se destina, primeiro e acima de tudo, a controlar a inflação.
A ameaça mais séria, para o Brasil, vem do pré-sal. Como o “shale oil” americano, a extração do pré-sal é mais cara que a convencional.
Alguns estudos sugerem que com o barril a 40 dólares o pré-sal se inviabilizaria. Mas antes disso a vítima seria a indústria americana de óleo alternativo.
É razoável supor que o barril não descerá muito além dos 60 dólares.
A OPEP disse que ia esperar uns meses para ver o que ocorria. Um preço muito baixo, por um tempo longo, poderia ser fatal para a OPEP.
Assim, é presumível que, em algum momento nos primeiros meses de 2015, a produção seja reduzida para que o preço se recomponha.
Enquanto isso, as companhias petrolíferas são ferozmente castigadas. Nos últimos seis meses, as ações da Goodrich Petroleum caíram 86%. As da Oasis Petroleum, 75%.
A Petrobras é um caso entre muitos, e não um caso único, ao contrário do que a imprensa brasileira noticia.
Nada na economia mundial, em 2014, foi tão importante quanto o colapso dos preços do petróleo – mas a mídia brasileira, no afã de bater na Petrobras e consequentemente no governo, parece que não percebeu.


______________________
www.diariodocentrodomundo.com.br

PEAK OIL


A CRISE DO PETRÓLEO

E outras crises

Na semana próxima passada o preço internacional do petróleo caiu ao seu mais baixo índice nos últimos 20 anos: 28 dólares o barril. As consequências vêm sendo avassaladoras. Até nos Estados Unidos dezenas de produtores já se acham em quebradeira total. A Venezuela, cuja caótica situação foi retratada e analisada no artigo de anteontem, tem como uma das principais causas desse caos – de par, obviamente, com a incompetência do governo presidido por Nicolás Maduro – o baixíssimo preço desse que é o principal esteio da sua economia. No Brasil, ao lado dos terríveis prejuízos causados por bandidos ao longo de muitos anos indicados pelos partidos políticos para os seus cargos diretivos, a Petrobrás vive dias cruciais, com reflexos, naturalmente, no todo da economia nacional. A própria Arábia Saudita, maior produtora do mundo do ouro negro, está a viver um quadro recessivo que enche de preocupações não somente os magnatas como logicamente os responsáveis pelos destinos econômicos e políticos nacionais. Com a recente decisão das principais nações de suspender as sanções econômicas que estavam a asfixiar o Irã, este brevemente reentrará no mercado mundial com a oferta da sua produção petrolífera, que é a 3° do mundo. O fato constituí perspectiva de ainda maior desvalorização do petróleo, o que universaliza o aumento das preocupações. A Rússia, outro grande país cuja economia depende fundamentalmente do comércio petrolífero e por isso mesmo já há quase 2 anos sofre as consequências da desvalorização, vive um quadro pode-se dizer dramático, já que a política por ela adotada em relação à Ucrânia lhe acarretou sanções econômicas dos Estados Unidos e seus países incondicionalmente aliados.
O petróleo, como se vê, outrora fator de grandes bonanças para todo o mundo, transformou-se, não se sabe até quando, em algoz implacável a avassalar economicamente grandes e pequenas nações.
Na última semana o leilão da Bolsa de Valores da China durou apenas 12 segundos. Porque a queda do valor de inúmeras ações assustou tanto que os seus responsáveis, apavorados, decidiram pelo rapidíssimo encerramento. No mesmo dia as bolsas norte-americanas, do Brasil e de vários outros países sofreram queda violenta, o que demonstra a inter-relação das economias nacionais. E que, mais ainda, demonstra sintomas de crise da badaladíssima economia chinesa. Vangloriavam-se os economistas da pátria de Mao Tsé-Tung de um produto bruto há bastante tempo superior a 8%. No dia daquela assustadora queda da Bolsa chinesa o produto bruto já estava com índice inferior a 6%. A segunda maior economia do mundo parece dar sinais sombrios, o que pode ser o fato mais alarmante das atuais crises econômicas que assolam a maior parte do mundo. Registre-se, ainda a propósito da China, que a sua imensa população rural tem em média salários mensais de apenas 70 dólares – o que equivale a mais ou menos 300 reais.
Importantes economistas assinalam que a União Europeia, liderada pela Alemanha, foi tremendamente infeliz em desamparar a Grécia, cuja situação continua de crise muito grave. Na semana próxima passada o grande economista Joseph Stiglitz esteve no Brasil e criticou acerbamente esse comportamento da União Europeia. O prêmio Nobel de Economia de 2001 fez críticas também às consequências do comportamento norte-americano com relação à crise provocada pela queda de um grande banco dos Estados Unidos em 2008, com as consequências que o mundo inteiro conhece, por havê-la sofrido, da recessão estadunidense verificada de 2008 a 2013. Naquela época o presidente Luís Inácio Lula da Silva afirmou que aquela crise norte-americana – que chegou a ser comparada a um tsunami – era para os americanos uma marola mas que para o Brasil seria uma marolinha. A fim de ser uma marolinha para o Brasil foi preciso que o governo brasileiro isentasse de impostos sobretudo as indústrias automobilística e da construção civil e os resultados dessas isenções representaram enormíssimas perdas de recursos pelo erário nacional, fato que, naturalmente, repercutiu e ainda repercute na economia brasileira.
Egito e Síria também vivem situação crítica, política e economicamente. E o chamado “Estado Islâmico” no mundo árabe é um dos fatos mais deploráveis da história universal.
Israelenses e palestinos continuam a manter conflitos catastróficos.
O Iraque se constituí cada vez mais em cenário de terríveis conflitos internos e de fatores de calamitosas violências externas.
A destruição e a autodestruição na maior parte do mundo são, infelizmente, temas a exigir enfoque e análise praticamente cotidiano


POR EURICO BARBOSa, 21/01/2016 ÀS 20:20 PM
WWW.DM.COM.BR

PRODUÇÃO DO PETRÓLEO


CRISE DO PETRÓLEO NÃO DEVE TERMINAR EM 2016

Para alguns analistas, é preciso que o petróleo atinja o preço de US$10 por barril para que os especuladores admitam que a ‘crise do petróleo foi longe demais’


Desde o início do ano, a queda de 18% no preço do petróleo surpreendeu até os analistas mais pessimistas. Em 12 de janeiro, a cotação do West Texas Intermediate (WTI), a cotação de referência para o mercado americano, caiu para menos de US$30 por barril, seu menor nível desde 2003. Mas no dia
seguinte o mercado recebeu a boa notícia que os estoques dos EUA de petróleo bruto e produtos petrolíferos haviam atingido o novo recorde de 1,3 bilhão de barris.
Com a queda do preço as empresas do setor de petróleo e gás estão cortando o número de funcionários, as despesas desnecessárias, os investimentos etc. Esta semana a British Petroleum (BP) anunciou um grande corte de funcionários; a Petrobras, a empresa estatal de petróleo brasileira, reduziu
os investimentos planejados.
Alguns analistas atribuem a culpa da queda dos preços a outros fatores além da oferta e da demanda. Para o banco Standard Chartered é preciso que o petróleo atinja o preço de US$10 por barril para que os especuladores reconheçam que a “crise do petróleo foi longe demais”. Mas, em geral, as opiniões e ideias são apenas hipóteses. O grau de incerteza é tão grande que os contratos de derivativos americanos vinculados às entregas em abril avaliaram o preço do petróleo entre US$25 a US$56 por barril, de acordo com os números oficiais.
Neil Atkinson da Agência Internacional de Energia (AIE) está pessimista em relação ao mercado de petróleo, sobretudo quanto ao consumo, que foi um dos fatores que sustentaram os preços no ano passado. A venda de petróleo na última quinzena coincidiu com a queda do mercado acionário chinês e a
desvalorização do yuan, o que para alguns investidores reflete a desaceleração da economia da China e a consequente diminuição da demanda de petróleo. Embora seja possível que a demanda diminua, na opinião de Atkinson esse risco está sendo superestimado. Os números divulgados em 13 de janeiro,
mostraram que a China havia importado um recorde de 6,7 milhões de barris por dia (b/d) de petróleo em 2015.

Porém, com exceção da Índia e da instável China, a demanda por petróleo não parece promissora em nenhum lugar do mundo este ano. Além desse cenário pessimista da escassez de demanda, os produtores não estão reduzindo a produção com a rapidez que as pessoas esperavam. A Arábia Saudita, que costumava diminuir suas metas de produção para elevar os preços, se recusa a desempenhar mais uma vez esse papel. Agora, os sauditas querem manter o nível elevado de produção para tirar do mercado produtores de alto custo.