E outras crises
Na
semana próxima passada o preço internacional do petróleo caiu ao seu mais baixo
índice nos últimos 20 anos: 28 dólares o barril. As consequências vêm sendo
avassaladoras. Até nos Estados Unidos dezenas de produtores já se acham em
quebradeira total. A Venezuela, cuja caótica situação foi retratada e analisada
no artigo de anteontem, tem como uma das principais causas desse caos – de par,
obviamente, com a incompetência do governo presidido por Nicolás Maduro – o
baixíssimo preço desse que é o principal esteio da sua economia. No Brasil, ao
lado dos terríveis prejuízos causados por bandidos ao longo de muitos anos
indicados pelos partidos políticos para os seus cargos diretivos, a Petrobrás
vive dias cruciais, com reflexos, naturalmente, no todo da economia nacional. A
própria Arábia Saudita, maior produtora do mundo do ouro negro, está a viver um
quadro recessivo que enche de preocupações não somente os magnatas como
logicamente os responsáveis pelos destinos econômicos e políticos nacionais.
Com a recente decisão das principais nações de suspender as sanções econômicas
que estavam a asfixiar o Irã, este brevemente reentrará no mercado mundial com
a oferta da sua produção petrolífera, que é a 3° do mundo. O fato constituí
perspectiva de ainda maior desvalorização do petróleo, o que universaliza o
aumento das preocupações. A Rússia, outro grande país cuja economia depende
fundamentalmente do comércio petrolífero e por isso mesmo já há quase 2 anos
sofre as consequências da desvalorização, vive um quadro pode-se dizer
dramático, já que a política por ela adotada em relação à Ucrânia lhe acarretou
sanções econômicas dos Estados Unidos e seus países incondicionalmente aliados.
O
petróleo, como se vê, outrora fator de grandes bonanças para todo o mundo, transformou-se,
não se sabe até quando, em algoz implacável a avassalar economicamente grandes
e pequenas nações.
Na
última semana o leilão da Bolsa de Valores da China durou apenas 12 segundos.
Porque a queda do valor de inúmeras ações assustou tanto que os seus
responsáveis, apavorados, decidiram pelo rapidíssimo encerramento. No mesmo dia
as bolsas norte-americanas, do Brasil e de vários outros países sofreram queda
violenta, o que demonstra a inter-relação das economias nacionais. E que, mais
ainda, demonstra sintomas de crise da badaladíssima economia chinesa.
Vangloriavam-se os economistas da pátria de Mao Tsé-Tung de um produto bruto há
bastante tempo superior a 8%. No dia daquela assustadora queda da Bolsa chinesa
o produto bruto já estava com índice inferior a 6%. A segunda maior economia do
mundo parece dar sinais sombrios, o que pode ser o fato mais alarmante das
atuais crises econômicas que assolam a maior parte do mundo. Registre-se, ainda
a propósito da China, que a sua imensa população rural tem em média salários
mensais de apenas 70 dólares – o que equivale a mais ou menos 300 reais.
Importantes
economistas assinalam que a União Europeia, liderada pela Alemanha, foi
tremendamente infeliz em desamparar a Grécia, cuja situação continua de crise muito
grave. Na semana próxima passada o grande economista Joseph Stiglitz esteve no
Brasil e criticou acerbamente esse comportamento da União Europeia. O prêmio
Nobel de Economia de 2001 fez críticas também às consequências do comportamento
norte-americano com relação à crise provocada pela queda de um grande banco dos
Estados Unidos em 2008, com as consequências que o mundo inteiro conhece, por
havê-la sofrido, da recessão estadunidense verificada de 2008 a 2013. Naquela
época o presidente Luís Inácio Lula da Silva afirmou que aquela crise
norte-americana – que chegou a ser comparada a um tsunami – era para os
americanos uma marola mas que para o Brasil seria uma marolinha. A fim de ser
uma marolinha para o Brasil foi preciso que o governo brasileiro isentasse de
impostos sobretudo as indústrias automobilística e da construção civil e os
resultados dessas isenções representaram enormíssimas perdas de recursos pelo
erário nacional, fato que, naturalmente, repercutiu e ainda repercute na
economia brasileira.
Egito e
Síria também vivem situação crítica, política e economicamente. E o chamado
“Estado Islâmico” no mundo árabe é um dos fatos mais deploráveis da história
universal.
Israelenses
e palestinos continuam a manter conflitos catastróficos.
O
Iraque se constituí cada vez mais em cenário de terríveis conflitos internos e
de fatores de calamitosas violências externas.
A destruição e a autodestruição na maior parte do mundo são,
infelizmente, temas a exigir enfoque e análise praticamente cotidiano
POR EURICO BARBOSa, 21/01/2016 ÀS 20:20 PM
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