O que é um malandro?
Existem diferentes perspectivas da malandragem
dependendo dos países. Por exemplo, em Portugal o malandro é visto com olhar
depreciativo, sendo percebido como uma pessoa gatuna, patife, marginal, vadia,
preguiçosa e maliciosa. No entanto, no Brasil a perspectiva vira e ele é
considerado uma pessoa esperta, inteligente (embora não tenha quase recursos
para se formar), sagaz, que não é dada ao trabalho, mas que tem uma vida boa,
um boêmio e um conquistador. Esta imagem é perfeitamente representada na música
dos cantores Chico Buarque e Bezerra da Silva.
Apesar
de o autor ter nascido em Moura e ser um reconhecido jornalista português,
ele bosqueja aos malandros como pessoas não criminosas, a través de uma
psicanálise deles nos seus diversos tipos: o malandro de raiz, o cleptomaníaco,
a pessoa que hoje seria cliente de qualquer psiquiatra, o malandro tiranizado
por uma infância desgraçada e o malandro que foi levado para a “má vida” por
causa dos males de amores.
Segundo os seus livros “Crônica dos bons
malandros” e “Primeiro as senhoras” , os malandros têm sentido de humor e agem
sempre em função de um certo código de honra que coloca os seus próprios
interesses acima de tudo.
O Edgar é
considerado como um malandro?
Sim, desde o começo da
história, ele sempre soube atuar antes os assuntos de investigação. Ele mesmo
era um esperto nisso porque ele também foi inspetor, mas sigiloso. No romance
também se nota que o Edgar nunca deixou que o senhor Inspetor perguntasse, já
que ele sempre queria levar vantagens no assunto. Porém por que ele fazia tudo
isso? Porque ele sabia tudo sobre seu
próprio rapto, mas antes de dizer a verdade, ele tinha que apresentar suas
razões de uma maneira que ninguém suspeitasse dele porque além de ser malandro
ele era um cavalheiro.
Como
identifica-lo no romance?
Na verdade se pode
identificar em todo o romance, mas vou citar algumas partes importantes que
revelar o tipo de personagem. Por exemplo, no seguinte parágrafo aparece a
verdadeira razão porque ele sempre falava de outros temas e realmente o fazia
porque sabia bem o que queria obter com suas insinuações, confundir ao senhor
inspetor.
“Primeiro, insinuar não
liga com meu carácter. A insinuação é a valentia dos manhosos. Quem
insinua não acusa, por falta de certezas ou de tomates, mas vai acusando. Põem
um pé no estribo e outro no chão em posição que dê jeito para mudar de
cavalo.” (Página 56).
Outro exemplo está na página 66 quando revela quem escreveu
o bilhete ao Sertório Egídio e como um bom malandro que era, soube disfarçar
tudo sem que ninguém acreditasse que ele tinha participado no rapto. Por
exemplo:
Perguntava: “Caro Edgar, quem acha
você que escreveu aquele bilhete ao Sertório Egídio Miranda?”
Resposta
imediata: “Eu.”
Nesse instante, saltava-lhe
o rabo da cadeira e havia de gritar, triunfante: “Ai confessa? Confessa que o
rapto não passou de uma farsa?”
E eu
explicava: “qual farsa, escrevi o que eles mandaram.”
“Eles quem?” estou a vê-lo de
sorrisinho malicioso.
A
figura do malandro a partir da sua relação com a Gilberta
Na página 45, no capítulo titulado “Minha querida
“ex”", podemos ver claramente como é que o Edgar se sente com a
Gilberta: seu casamento durou só 14 meses, mas a relação destes dois perdurou
muito mas tempo. Continuaram sendo amigos e confidentes mas não tinham nenhum
tipo de relação sexual.
Porém, o Edgar, que sabia tanto quanto a Gilberta
que eles não deviam voltar a estar juntos, sentia um inexplicável desagrado
pelos homens que queriam aproximar-se dela. Por quê? Por uma simples razão, uma
razão que reflete sua condição de malandro: ele achava que nenhum dos
candidatos era digno de sucedê-lo, já que ele era muito superior.
O Edgar afirma para o inspetor, falando do Silvio
Pinalva, o namorado e futuro esposo da Gilberta que “não lhe pagava na mesma
moeda, o senhor Inspetor já me vai conhecendo, sabe como sou superior a
sentimentos mesquinhos”. E é claro, um “malandro” não pode sucumbir a
sentimentos irracionais, ele deve sempre agir de forma sossegada e esperta,
mesmo quando se sentir intimidado.
Como mecanismo de defesa, o Edgar tenta menosprezar
os outros pretendentes da Gilberta alegando que “ela afasta os candidatos como se
eles fossem o que realmente são: melgas. No fundo, tudo se deve ao seu alto
nível de exigência, veja o senhor Inspetor que até hoje só aceitou um homem e
fui eu”.
Neste capitulo, no qual ele explica sua história com
a Gilberta, também explica dois fatores importantes: que eles se separaram por
birras e que nunca voltaram porque pouco tempo depois “tão pouco que não chegou
para esfriar, eu retomava a vocação de celibatário errante, de par de mamas em
par de mamas até a Renata chegar”.
Esta atitude lhe da mais uma caraterística de
malandro: a de um amante invejável.
Por ultimo, a representação mais importante da
malandragem na sua relação: ele mente para a Gilberta e faz com que ela vá até
o Inspetor para dar seu depoimento. Isto é, manipula-a porque sabe muito bem
que se ela soubesse a verdade, “não se teria sentado diante do Senhor inspetor
a participar da ocorrência”.
E esta, senhores, é a caraterística mais importante
de um malandro: usar as mentiras e a manipulação para obter vantagens de
qualquer situação.


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