lunes, 6 de junio de 2016

COMENTÁRIO DE TEXTO: “CRISE DO PETRÓLEO NÃO DEVE TERMINAR EM 2016”

          

O artigo “Crise do petróleo não deve terminar em 2016”, publicado no jornal online Opinião e Notícia, trata a instabilidade que se vive hoje no que diz respeito ao mercado do petróleo.
Já o nome do jornal nos diz alguma coisa. Este é um site web caraterizado por apresentar informações sobre acontecimentos internacionais, mas também se espera encontrar artigos de opinião que os comentem. Este texto, em particular, é uma mistura de ambas facetas.                                       
O autor do artigo, não especificado, não gosta de rodeios. Desde o começo apresenta ao leitor dados concretos que sustentam a tese: ninguém sabe o quê vai acontecer com o petróleo no mundo.
É assim que se desenha a informação. A pessoa que escreve vale-se da exemplificação não só para fazer ver ao público o que está acontecendo, mas também para assegurar-se que sua opinião seja bem entendida e aprovada.
Nomeiam-se entes importantes do setor petrolífero, como a West Texas Intermediate  e a British Petroleum já que, sendo figuras significativas que sofrem as consequências da crise, ajudam a dar credibilidade as ideias do autor.
Uma das estratégias mais notáveis na sua escrita é o fato do escritor apresentar as informações de forma que o leitor sinta a incerteza e a dúvida que sentem os especialistas em relação ao petróleo. Podemos ver isto no parágrafo número três, no qual já não se expõem mais evidencias da crise, mas tenta dar-se uma explicação sobre a razão pela qual a queda dos preços é tão súbita e severa. 
O autor procede então a compartilhar uma “opinião comum” e escreve: “alguns analistas atribuem a culpa da queda dos preços a outros fatores além da oferta e da demanda”.  Façamos especial atenção ao uso da palavra “alguns”.  Depois de ter exemplificado com grande exatidão as provas da crise, passa a usar um pronome indefinido e muito genérico para explicar o porquê de toda essa situação.
E ainda mais: depois de fazer esta afirmação, o autor escreve um parágrafo inteiro sem mencionar nada relacionado a esses fatores que influem na queda dos preços. Pelo contrário, continua aprofundando no tema da instabilidade e da incerteza.
Nada disto é por acaso.
No quarto parágrafo o autor introduz a opinião de Neil Atkinson da Agência Internacional de Energia, e escreve que ele “está pessimista em relação ao mercado de petróleo, sobretudo quanto ao consumo, que foi um dos fatores que sustentaram os preços no ano passado”. Agora, “consumo” não é “demanda”? É.
Então isto contraria a afirmação com a qual começou o terceiro parágrafo. Porém, não acaba aí: o autor, depois de explicar porque é que Atkinson considera isto, assinala: “na opinião de Atkinson esse risco esta sendo superestimado (o risco do consumo diminuir)”, já que no dia 13 de janeiro a China importou um total de 6,7 milhoes de barris por dia, um recorde. 
Cá, a contradição termina. No final, Atkinson concorda com a asseveração sobre a influência da demanda no mercado do petróleo, só que o autor quis levar o público num caminho de incerteza, fazê-lo duvidar e ilustrar o ambiente de “hipótese” que se respira no mundo.
O artigo fecha anunciando que o consumo não será promissor este ano, mesmo se a China e Índia continuam vendendo estas elevadas quantidades de ouro negro. Para agravar o cenário, menciona-se que a Arabia Saudita não diminuirá seus níveis de produção, desta maneira poderá eliminar seus competidores de altos preços.
Para vermos além do evidente: o autor nos deixa saber que a batalha contra a crise ainda não acaba e essa, leitor, é a explicação do nome do artigo: a crise do petróleo não deve terminar em 2016.
Por: Valentina Coronado.

1 comentarios:

Unknown dijo...

Bom comentário! cumpre com os principios da coerencia, da coesao, da progressao temática, bom léxico e registo apropriado.

É importante evitar o uso dos deícticos e dos pronomes demonstrativos na escrita. Atencao: assegurar-se que?

Nota: 17

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